Ingressos esgotados há mais de uma semana e pelo menos mais de 500 pessoas que ficaram de fora, tentando adquirir ingressos a todo custo, comprovaram que o local escolhido para o show , a casa de espetáculos Credicard Hall, foi de um equivoco sem tamanho. A banda, mesmo sem Jim Morrison, tinha cacife para lotar, tranqüilamente, o estádio do Pacaembú, por exemplo. E olha que eu já assisti muitos shows de rock, mas fazia muito tempo que eu não via uma vibração tão positiva, tanta energia do público, como nesse show dos Doors. A molecada, isso mesmo, só tinha molecada, cantava todas as músicas, com uma paixão poucas vezes vistas. E tudo isso, claro, graças ao carisma de Jim Morrison. Opa! Alguém aí pode ter se perguntado: Jim Morrison não morreu há mais de 30 anos? O homem morreu, mas o mito ficou. E Ian, sabiamente, soube como ressuscitar esse mito.
Por falar em mito, por incrível que possa parecer, alguns deles foram quebrados nesse show. Primeiro mito quebrado: "Nunca vá em um show com a camiseta da banda que está tocando". Cara, só tinha neguinho com camiseta estampando a foto de Jim Morrison. Segundo mito quebrado: "Em show de tiozinhos, pelo menos metade da platéia seria de tiozinhos". 99 % do público tinha entre 15 e 25 anos, estava difícil achar alguém com mais de 40 anos na platéia. E por fim, o maior mito de todos, esse eu não sei se alguém vai acreditar em mim, mas o trânsito de São Paulo estava uma beleza, uma maravilha! Chegaríamos a tempo de assistir ao início do show, com folga, isso se o meu "guia" não fosse o meu amigo Paulo Roberto, o pior guia do mundo. Tá, teve também outro contratempo, mas é melhor eu nem falar disso, pra não comprometer alguém que eu gosto muito (rs).
É isso aí, devido a esse outro contratempo, que eu não vou poder contar, acabamos perdendo a música de abertura, nossos lugares numerados, e a chance e fazer uma cobertura do show com mais tranqüilidade. Mas quem ama o rock’ n’ roll não tá nem aí pra esses detalhes, não é mesmo?
Os nossos lugares ficavam no lugar mais alto da casa, tipo geral de estádio de futebol, saca? Bom, ser alto, nessas horas é a melhor coisa do mundo, apesar de longe e muita gente na frente, deu pra pegar os caras arrebentando o finalzinho de "Roadhouse Blues". De cara, deu pra notar que a banda ainda estava muito calcada na empatia de Jim Morrison. Escancaradamente, Ian Astbury copiava os trejeitos, o cabelo, a dança, a voz. Cara, a voz... o cara cantava como Jim Morrison, talvez até melhor. Eu nunca tinha visto isso na minha vida. Se você tivesse no show, após, é claro, ter tomado umas cervejas a mais, ia ver claramente o Jim Morrison no palco. E olha que eu nem tomei tanto assim. Afinal R$ 5,00 a latinha da cerveja, não dava mesmo pra encher a cara.
A banda, formada por Jim...ops! Ian Astbury nos vocais, Ray Manzarek nos teclados, Robby Krieger na guitarra, Angelo Barbera no baixo e Ty Dennis na bateria, fizeram um show impecável. Sem dúvida, um dos melhores shows que passaram por São Paulo. Os tiozinhos, simplesmente arrebentaram!!! Hits não faltaram, e é incrível a quantidade de sucessos que os Doors possuem que não tocam em rádio. "Break On Throught", "When The Music’s Over", "L.A. Woman", esses e outros sucessos fizeram a moçada se sentir no paraíso, ou no inferno, que seja, ao lado de Jim Morrison. Ray Manzareck até que se esforçava, tocando seu teclado maravilhosamente bem, bendito teclado!!! Mas foi Ian, ex vocal da puta banda The Cult, que trouxe a lenda de volta. O cara, como numa seção de espiritismo, "recebeu" o espírito de Jim Morrison. E o cara cantou, como cantou...
A grande "surpresa" da noite ficou por conta da entrada dos percussionistas da escola de samba Vai Vai durante a música "Break On Throught", numa versão pra lá de surrealista. Bola no ângulo!!!
Mas o ponto alto do show ficou mesmo para o final. A tão esperada "Light My Fire", com a participação, mais do que especial, de um dos percussionistas da Vai Vai, que infelizmente não descobri o nome (se alguém souber me diga, por favor!), duelando com Ray Manzareck, Robby Krieger e com o baterista Ty Dennis , numa versão de mais de 15 minutos, foi simplesmente sensacional!!!
É uma pena que apenas sete mil pessoas puderam presenciar a um show desse nível. Na saída dava pra ouvir algumas pessoas no celular, extasiadas, tentando explicar pra quem ficou em casa, o inexplicável sentimento de assistir a um show dos Doors, mesmo que 30 anos após a morte de Jim Morrison. Na verdade, o grande "culpado" por toda essa comoção.
Jim Morrison vive!!! Quem viu o show não tem mais dúvida disso.