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"4" - o novo disco do Los Hermanos Adriano Mello Costa
Chegou "4", o tão aguardado novo disco do Los Hermanos, uma das melhores e mais criativas bandas da nossa música. Ainda sobre a batuta do produtor Kassin e elaborado novamente em um sítio longe de tudo e de todos, tudo veio mais ou menos como o processo dos últimos discos, mas com uma diferença vital, os caras abandonaram de vez o rock. Calma, isso não é ruim, pelo contrário é bom demais!"Bloco do Eu Sozinho", o segundo disco ainda é a obra prima da banda, mas o som de "4" é extremamente delicioso de ser ouvido, disco para se deixar tocando por horas e horas no cd player, simplesmente fascinante. "4" é um passo a frente na trajetória musical deles, novos horizontes se encontraram com antigas idéias, produzindo um resultado ímpar. “Dois Barcos” abre o disco com uma melodia cativante, harmonia arrebatadora, lembrando Lô Borges e Milton Nascimento, com uma letra que vai ecoando dizendo: “Só eu sei nos mares por onde andei...” - sendo impossível não se emocionar. Depois vem “O Primeiro Andar”, uma baladinha suave que podia estar plenamente em "Ventura" de 2003, com aquele andamento que só os Hermanos sabem dar, com uma letrinha esperançosa e ao mesmo tempo nostálgica. “Fez-se mar” chega de mansinho, com sua melodia singela e os vocais erguendo uma montanha de emoções, ecoando vagas lembranças de bossa nova e das canções do início dos anos 50. Ah...o amor! E lá vai os versos: “Parece que o amor chegou aí...”, fazendo os mais duros corações lembrarem de algo no passado. Chega um quase ritmo latino em “Paquetá”, sem paródias fracas, dá vontade de estar tomando uma boa cerveja, vendo um belo pôr do sol, e exorcizando alguns demônios internos, afinal “Eu zanguei numa cisma eu sei...” O disco começa a tomar aquela idéia de “Isso está muito bom...”, quando a formatação quebrada de “Os Pássaros” vem dar uma nova cara, com um pouco de “cool jazz” e o tradicional desleixo, junto com uma letra que se chamarmos de melancólica, ainda será pouco. “Morena” entra com um rítmo um pouco mais animado (mas nem tanto), lembrando Gonzaguinha e jogando a conquista e declarações no ar: “Prefiro assim com você, juntinho sem caber de imaginar...”, podendo até parecer brega, mas em uma canção dos hermanos, dificilmente algo fica assim. “O Vento” transforma lirismo em nostalgia, melodia em melancolia e vem arrebatadora, reinventando seu estilo dentro da sua própria ousadia, incrível como as passagens vão se alternando devagar, sem pressa, sossegadas, construindo o cenário deprê perfeito. Já sentindo faltas das guitarras chega “Horizonte Distante”, um rock pequeno (sim, eles ainda existem!!) em andamento menor, com direito a até um solo de guitarra. Chega a vez da grande canção desse disco: "Condicional”, com uma letra que chega a dar vontade de sair vomitando impropérios ao mundo, única canção do disco capaz de levantar uma provável alegria (no ritmo, não me entendam mal), com um arranjo meio infantil aparecendo pelo meio da melodia. E pode deixar que lá vem: “Quis nunca te perder....”, haja coração, haja coração. “Sapato novo” entra diminuindo o clima totalmente, com efeitos de teclado e acordes de violão, letra emocionante, uma das melhores do disco pela simplicidade e delicadeza. “Eu só levo a saudade....”, pode deixar que sim. O final do disco vem chegando assim com “Pois é” do Marcelo Camelo, também em andamento menor, com guitarras ecoando vez ou outra, dando uma dramaticidade cinematográfica para a letra. Canção que ficaria muito bem num filme, em uma cena com um cara seguindo sozinho em uma estrada deixando o passado e seus amores para trás. A última música “É de lágrima” chega tranqüila, finalizando o clima do disco, até cair em distorções no final para voltar ao seu andamento e sair de cena, mansinha, mansinha. Os Hermanos produziram um grande álbum sem dúvida, se reinventado a cada acorde o que é primordial e compondo canções com uma absurda carga de emoção. "4" não tem uma canção acima das demais e nem no nível de “Retrato pra Iá Iá”, “Sentimental”, ou “Vencedor”, mas na boa, acho que essa era exatamente a idéia deles. Disco extremante indicado para quem acredita no amor, para quem não acredita, para quem já amou alguém, para quem não amou ninguém, ou para simplesmente quem gosta de boa música, feita com criatividade e qualidade. É deixar rolar as canções, pegar uma boa bebida e começar a pensar na vida. Obs: As músicas podem ser escutadas na página oficial da banda: www.loshermanos.com.br 24*11*2005 Adriano Mello Costa Belém - PA
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