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Guns N’ Roses, no Olimpo do rock. Daniel Sanes
Ame-o ou odeio-o. Caro leitor, você tem que admitir: Axl Rose é um fenômeno do show business. Só pode ser. Senão, como se explica o fato de sua banda – que dispensa apresentações – não lançar um disco de estúdio desde 1993 e, mesmo assim, ainda ser idolatrado por tanta gente? E não estamos falando apenas daquelas pessoas que viveram o fenômeno Guns N’ Roses na virada dos aos 80 para os 90. Há garotos de doze, treze anos que têm a banda como seus ídolos. Pirralhos que molhavam as fraldas quando Mr. Axl estava apenas começando a causar estardalhaço na cena americana. "Sweet Child O’Mine" ainda hoje é um hit incontestável. Toca em rádios como se fosse a última da Kelly Key. E já tem, nada menos, que quatorze aninhos!!! Ou seja, o Guns angariou um bom punhado de fãs que sequer eram nascidos na época de Appettite for Destruction. Não é pouca coisa, se considerarmos que a banda praticamente não existe mais há uma década. Para manter essa sobrevida, o que fez Axl Rose? Quase nada. Uma música mediana em trilha sonora de filme, um cover dos Stones não mais que passável e uma ameaça de retorno aos palcos em 2001 (que teve sua apoteose no Rock In Rio III). O tal Chinese Democracy está engavetado há uns bons anos, e virou motivo de gozação. Tanto que os malucos do Offspring já cogitaram lançar seu próximo álbum com o mesmo título do disco que nunca saiu, em virtude da demora no lançamento da bolacha. Enfim, em dez anos o Guns N’ Roses não fez praticamente nada que motivasse a renovação de seu público. No entanto, a quantidade de fãs que o moribundo grupo de Axl conquistou nesse tempo é de dar inveja a muita banda que está na ativa. A explicação para esse fenômeno pode parecer impossível, mas é lógica. O G N’R, queiram ou não seus detratores, deixou sua marca na história da música. Seja através de um punhado de pérolas do hard rock, seja através das atitudes polêmicas de seu fundador e único membro fixo, o grupo figura entre um dos mais populares de todos os tempos. O Led Zeppelin durou pouco, mas virou lenda. The Doors, menos ainda, e nem por isso perdeu a aura cult em torno de Jim Morrison. Kurt Cobain precisou se matar para que seu Nirvana atingisse o patamar de banda definitiva dos anos 90. Se ignorarmos a inatividade de Axl e seus asseclas na última década e aceitarmos as comparações com as bandas citadas (embora elas devam causar indignação dos fãs destas), podemos acreditar que, daqui a vinte, trinta anos, o Guns N’ Roses figurará entre uma das maiores bandas de rock’n’roll de todos os tempos. E Axl, quem diria, de imbecil mal-humorado poderá ser transformado em um herói rebelde incompreendido. Com méritos ou não, isso pouco importa. O que interessa é que muitos dariam tudo para conseguirem serem lembrados dessa forma. E você, caro leitor, que já foi a algum show dos Guns, poderá contar aos seus netos, com orgulho semelhante, a quem hoje se gaba de ter visto o Black Sabbath. Exagero? Só o tempo vai dizer. 16*12*2003 Daniel Sanes Santa Vitória do Palmar - RS
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