Engenheiros do HawaiiVárias Variáveis1991 |
A cobra que morde o próprio rabo. O CD que se ouvido no repeat parece não ter começo ou fim. Um ciclo interminável. Ideologias expressas no projeto visual e nas músicas. Definição? Várias Variáveis! Mas não vou tentar voltar à época, fazer comparações ou explicar a filosofia gessingeriana. Escutar o álbum é bem melhor! Lançado em 1991, o sexto disco do Engenheiros do Hawaii é especial. Não, não foi com ele que a formação clássica (Gessinger, Licks e Maltz) se dissolveu, não é ele que traz orquestra em formato desplugado, não foi o que vendeu mais e também não é o mais recente. Agora se me perguntar o porque ele figura aqui na Discoteca básica é porque certamente ainda não o ouviu. Quando você aperta o play, é uma melodia cadenciada diferente do que esperamos escutar que “pede passagem”, com dois Humbertos cantando ao mesmo tempo, duas mensagens sendo transmitidas e antes de você conceber como tudo isso é possível, em menos de um minuto e meio “O sonho é popular” acaba, dando lugar a “Herdeiro da pampa pobre”, um cover de Gaúcho da Fronteira”. Inusitado? Não para eles! O CD segue com “Sala Vip”, os hits “Piano Bar” ( uma balada romântica sem nenhum toque brega característico da transição anos 80/90) e “Ando só”, “Quartos de Hotel” escrita na turnê anterior e a faixa-título que recria um sintonizador de dial. As músicas nos dão impressão de parágrafos de um texto bem redigido, uma dá gancho à outra fazendo o ouvinte mais distraído se perder entre as faixas. E é entre frases como “não sou do meio termo, quero todos os gestos ou nenhum”, “ando só nem sei porque” e “tô num lugar comum, onde qualquer um se esconde” que chegamos em uma levada de baixo contagiante e uma letra atualíssima, é “Muros e Grades”, o último hit do disco. Vocais lamuriantes e melodia tensa em “Museu de Cera”, uma colagem de marcos históricos (por que não?) toscamente gravada em “Curtametragem” e chegamos na canção que melhor resume a essência do disco: “Descendo a Serra”. Lembram do ciclo? O que me dizem de “ é sempre a mesma stória (é tão difícil partir), é sempre a mesma stória (é impossível ficar). E aí, nessa fase do álbum nos resta as irmãs siamesas “Não é sempre” e “Nunca é sempre” e aqui já não há mais dúvida alguma que o “Várias Variáveis” merece uma posição de destaque na sua discoteca, cdteca, ou o que quer que seja. Como acaba? Com um “Fim” seco, decidido como se estivesse te obrigando a apertar o Stop. Mas não faça isso, deixe tocar novamente, dispa-se de qualquer pré-conceito que persegue o Engenheiros do Hawaii e se permita conhecer. “Eu só to começando e já cheguei ao fim, a gente vive assim acabando o que não tem fim”! 10*8*2004 Roberta Lopes Roberta Lopes é estudante de jornalismo
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