Em meio há um contexto irreparável na nova rota de shows em São Paulo, B.Negão e Os Seletores de Freqüência entraram no palco do teatro do Sesc Avenida Paulista e mostraram porque são os verdadeiros vendedores de ingressos, que mais uma vez, se esgotaram.
Num frio de cortar o rosto, e num ambiente mais que peculiar, muitas vezes parecendo que não estávamos em um pico costumeiro, logo a noite se aquecia ao swingue do verdadeiro funk brasileiro, com pitadas de hip hop, roquenrou e o que mais for preciso pra apimentar aquilo que já está ganho, e com uma platéia aguçada por mais e mais, B.Negão e sua banda logo começaram a noite embalando ao som de “A Palavra”, muitas vezes coerente com a razão e sarcástica com um discurso direto, e pra não fugir de um coro entalado em nossas gargantas, logo ouvimos na seqüência “Prioridades”, dizendo e afirmando, priorize as prioridades, e priorize o que fará diferença na sua passagem, foi um dueto perfeito e que mais uma vez não ficou pedra sobre pedra, na música “Reação” reagimos ao que o futuro nos reserva, qualidade é claro, em “Dorobo” saudades do Mano Sabotagem, mas de forma incisiva B.Negão incorporou e equilibrou aquela que mais prejudicou minha qualidade de pensar, agradeço desde já, uma homenagem merecida a banda de apoio na música “Seletores de Freqüência”, em “V.V” a banda multi-rotulada mostrou mais um talento em pitadas leves de um bom samba.
Sem parar e mostrando um pouquinho do novo álbum, que deverá ser lançado até o final do ano, a música “Proceder e Caminhar” mostra que eles não fugiram da essência do cd de estréia “Enxugando Gelo”, e por falar nisso, a próxima era a mesma que deu titulo ao álbum “Enxugando Gelo” que mais uma vez foi cantada em coro, logo após essa música ele fez uma das melhores versões que já escutei para o clássico funk “Smokey” do Funkadelic, e pra mostrar que o show estava Classe A, mais uma inédita, “Juju”, uma linha tribal africana como ele mesmo se referiu, de dar nos nervos de tão boa, só instrumental, seguida pela bombástica “Funk até o caroço”, marca registrada de B.Negão e sua trupe, logo ele mandou pitadas de “Pass the Peas” do The JBs, outro clássico do funk, juntando com “O Processo” que é lento mesmo, daí veio a parte mais pesada do show, no sentido instrumental e roquenrou, duas pancadas na seqüência, “Qual é o seu nome?” e “Dança do Patinho”, num momento pra lá de hardcore, e pra fechar o show com chave de ouro, mais dois covers de peso, “Ghost Town” do The Specials e “Chase the Devil” do Max Romeo, depois de tudo isso só tenho uma coisa a dizer, você perdeu um puta show mais uma vez.
17*7*2008