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Maria Rita Maria
Paulo Roberto

Leitor
Maria Rita é uma cantora de MPB?

Paulo Roberto
Claro.

Leitor
Maria Rita é filha da Elis Regina?

Paulo Roberto
Não.

Leitor
Como não?

Paulo Roberto
A filha da Elis começou a cantar há pouco, a Maria Rita que estou falando já está na estrada há muito tempo.

Leitor
Ué, mas eu a vi na Globo!?.

Paulo Roberto
Pois é, você viu a Maria Rita, filha da Elis Regina, mas eu estou falando da Maria Rita que é tão talentosa quanto a Maria Rita, entendeu?

Leitor
Ai Ai! Quantas Marias Ritas!!!

Paulo Roberto
Por isso que a minha Maria Rita mudou o nome para Rita Maria, e assim acabar com essa confusão.

 

SENTA QUE LÁ VEM A HISTÓRIA

Deixa eu acabar com essa confusão e explicar para os desentendidos: Maria Rita Mariano é filha de Elis Regina e de forma rápida e instigante acaba de lançar o seu álbum de estréia, é fácil de perceber todo o glamour que essa Maria Rita está tendo, pois além de inúmeras matérias sobre ela nos principais jornais, revistas e web sites, acaba de passar um especial/show na emissora Globo. Muitos dizem que ela furou a fila e foi na rabeira do nome de sua mãe direto para o topo. Pode até ser, talento entendo que ela tem, mas estou aqui para falar da Maria Rita, que aliás, mudou seu nome artístico para Rita Maria, com certeza por causa da confusão criada sem querer pela outra Maria Rita.

A cantora e compositora Rita Maria tem uma voz perfeita e poderosa, e vem se revelando uma talentosa compositora da nova música popular brasileira. Mesmo sendo muito jovem, Rita Maria já tem um extenso currículo musical.

Atualmente, além de sua promissora carreira solo, Rita Maria faz parte do grupo vocal Trilha, onde também compõe e escreve arranjos. Polivalente, também é integrante do Coralusp,

Durante o ano de 2001, Rita Maria foi regente do Coral Casa das Rosas, e trabalhou em oficinas do Coralusp. Hoje, além de professora de canto, é também aluna de canto lírico da Escola Municipal de Música, em São Paulo.

Antes de partir para a carreira solo, Rita Maria fez parte de uma das mais criativas bandas da nova geração paulistana, a banda Quarks. Por fim, foi vencedora do Quinto Prêmio Charles 2002 – Voz de Ouro, promovido pelo Sarau do Charles, no galpão Raso da Catarina, por sua participação nos saraus durante o ano de 2001.

Rita Maria está com seu primeiro cd solo pronto, chamado "Fora de Órbita", por enquanto a divulgação está sendo feita como se fosse uma demo. Como o mercado se fecha a cada dia para novos artistas (que deveria ser o contrário), o cd de Rita Maria está aguardando a oportunidade de fechar com algum selo. O álbum "Fora de Órbita" conta com músicas de Gilberto Gil, Edu Lobo e Chico Buarque, Djavan e canções próprias da cantora.

 

Mais informações no site da cantora:

www.mariarita.mus.br

 

Entrevista:

 

Como anda sua vida após o surgimento da Maria Rita (filha da Elis)?

Bem parecida com antes, mas com um novo nome. Continuo dando aulas, estudando, ensaiando e compondo, como fazia. E agora ainda tenho um espetáculo musical Palavras de Mulher – as mulheres de Chico Buarque (www.sitepalavras.hpg.com.br) que está em cartaz no Teatro Folha em São Paulo desde Agosto, garantindo um show semanal. Este espetáculo veio bem a calhar, pois por ser um pouco teatro e um pouco música, garante uma temporada e não apenas shows esparsos. Além do mais tem uma ótima divulgação na Folha de São Paulo (com foto nos tijolinhos) e em outros meios de comunicação.

Você acha que prejudicou muito na sua carreira?

Não acho, não. Ao contrário, acho que tanto para mim como para outros artistas da MPB, Maria Rita abre portas. Ela faz MPB, em uma major (a Warner), e traz para mídia uma música de qualidade. A MPB estava um pouco esquecida e engavetada. Tivemos a chegada de vários artistas, como Zeca Baleiro, Chico César, Lenine, mas desde Marisa Monte não se via nada tão fenomenal.

É verdade que recentemente em um show seu, a casa estava lotada, mas você percebeu que todos estavam pensando que seria show da outra Maria Rita?

Sim. Não só no meu. Na internet nessa semana, conheci outra cantora que passou pelo mesmo dato curioso. Trata-se da Mônica Marianno (www.monicamarianno.com) que por causa do sobrenome parecido também, viu pessoas em seu show acreditarem ver a filha da Elis Regina.

Em meio a toda essa confusão, você acha que chegou a ganhar alguma coisa com isso?

Talvez, ainda não sei. Experiência com certeza. De vida, para a pessoa comum. Para a artista, agora é que estou vendo as conseqüências. Eu não esperava ser desse jeito, mas acho que pode ser bom.

Você sentiu que era necessário mudar o seu nome artístico? Porque?

Certamente. Nome artístico caracteriza o artista para o público. Maria Rita caracteriza a filha da Elis. Se não mudasse o nome, seria eternamente confundida com ela, e aí sim sairia no prejuízo, pois afinal tenho um trabalho próprio que para mim está acima de qualquer nome que posso ter. E meu maior bem; meu interesse em preservá-lo e dar continuidade a ele fez com que procurasse uma nova marca.

Como anda o lançamento do seu CD solo?

Adoro essa pergunta!! O CD FORA DE ÓRBITA anda pronto, à procura de um selo para uma parceria. O cd tem saído em forma de demo por enquanto. Nele eu gravei dez faixas, sendo sete composições próprias e três músicas de uns carinhas já mais conhecidos (Gil – Frevo Rasgado; Edu Lobo e Chico Buarque – Nego Maluco; Djavan – Maçã do Rosto). Para viabilizar os direitos autorais, seria mais interessante um selo. Lançar independente vai me custar um pouco caro, mas não está totalmente fora dos planos, caso não encontre ninguém interessado. Estou planejando lançar no ano que vem, para aproveitar melhor o ano e trabalhar o cd com calma (quero ver se saio da cidade de São Paulo, finalmente!!). É um cd que teve origem na sonoridade de um trio – voz, violão e percussão. O violão, tocado por Zeca Loureiro, dá o tom ao trabalho. Ele fez lindos arranjos para maioria das faixas, muito sensíveis e originais, um violão bem brasileiro, cheio de nuances. Algumas faixas levam guitarra, baixo e bateria também. Este cd é o resultado de um trabalho de palco. Todo mundo que gravou participou da concepção do trabalho, dos arranjos. Isso para mim dá uma cara bem legal pro trabalho, enriquece mesmo. Tenho no baixo o André Bedurê e na bateria o Paulinho Barizon (que me acompanham nos shows), o Zeca Loureiro faz violão, guitarra e viola caipira, o Eduardo faz percussão (os dois também estão na estrada comigo). E algumas participações, como o baixista Mintcho Garramone, do acordeon de Otávio Ortega, Ricardo Barros faz uma cuíca divertida em Nego Maluco, e o César Barizon (pai do Paulinho), quebra tudo num apito de samba!!

Você está com seu primeiro cd solo pronto, mas ainda não saiu nas lojas, não seria a hora de aproveitar esse boom e jogar mais lenha na fogueira?

Não acho que seja o caso, primeiro porque preciso prensar. Depois, pagar direitos autorais (acho que não é bem nessa ordem, mas...) E principal, não vejo que lenha jogaria na fogueira lançando cd agora ou depois.

Como você definiria a Rita Maria?

Rita Maria é paciente e acredita em seu trabalho. Compõe e canta, sempre buscando uma expressão pessoal, buscando a sua verdade. E uma artista independente, que vai aos poucos traçando seu caminho, aprendendo sempre, seja onde e como for. Estuda e trabalha como tantos músicos por aí, e ama o que faz!

Você chegou a ter algum contato por parte da Maria Rita?

Não.

Muito se fala sobre o lançamento nacional da Maria Rita, você concorda que ela furou a fila, e se aproveitou do nome de sua mãe?

Não concordo. No caso dela, não tem "furar a fila". Que fila afinal? O sucesso dela não veio de cima para baixo, não é imposto pelo mercado ou por gravadoras. É o que as pessoas querem ouvir. Não se fabrica talento assim tão fácil, tocando música difícil, de qualidade e pouco comercial. E nada mais legitimo. Ela traz em sua voz uma herança, não é possível negar. Canta muito bem e merece o sucesso que está fazendo. Veio pra encarar e faz isso muito bem!

Te incomoda falar sobre a Maria Rita e sobre toda essa confusão?

Falar sobre a Maria Rita, não incomoda desde que isso não vire o único motivo pelo qual as pessoas se interessem por mim. É mais uma questão de mostrar o trabalho em si. Também sei que a história é um belo gancho e gera curiosidades, mas acho que tenho outras coisas guardadas, que podem surgir, e quero aproveitar o momento.

Você sente que o mercado está fechado para novos talentos?

O mercado está mudando. Com a internet, a divulgação e o contato com novos artistas é bem mais fácil. Hoje em dia também é mais fácil gravar, e muitos trabalhos bons aparecem com isso. Acho que os músicos estão aprendendo a lidar com essas novidades, e o público também. Acho que cresce a procura por artistas independentes, mesmo sem mídia. E acho possível levar assim um trabalho e conquistar um espaço legitimo. Mercado e arte são coisas um pouco contraditórias, mas podem de certa forma coexistir. Um se adapta ao outro, e acho que chegou a vez do mercado se adaptar à arte. Muita gente boa fazendo música boa é realidade no país.

8*10*2003

Paulo Roberto
Editor do fanzine Stereo Rock Club

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