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aprovado
O
que a gente viu e aprovou...
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É que a viola fala alto no meu peito humano
Foi-se a vez em que a música sertaneja era uma expressão puramente popular e regional. Foi-se a vez do matuto, do Jeca, do caipira que inspirou Villa-Lobos e Monteiro Lobato, que tinha a viola ao peito para expressar suas mágoas e acompanhar seus causos. Letras muito simples,até ligeiramente ingênuas, uma dobrada de voz acompanhada de acordes básicos, violinha chorando e a sanfona em contraponto, foi nesse cenário que duplas como Tonico e Tinoco, Zilo e Zalo, Liu e Léo criaram seus reinados de mais de meio século e, precocemente, fizeram muitas de suas obras verdadeiros patrimônios populares. Vindos de uma geração de artistas onde a aceitação do público vinha antes da sua fama, e para tanto o próprio artista havia de batalhar muito, estas figuras, entre muitas outras, foram responsáveis por levar ao conhecimento de toda uma nação as histórias do povo sertanejo, da roça, das festas e catiras e folias que a maioria dos habitantes dos grandes centros urbanos cada vez mais desconheceria.Nesses pólos ditos urbanizados que, seja pelo mau gosto, seja pelas tendências mercadológicas, que se deu início a um processo de modernização dessa cultura. Artistas que procuravam renegar suas raízes caipiras e vestir roupas country, pendurar guitarras no peito, cabelos arrepiados e demais adornos da juventude metropolitana, combinados com gravadoras procurando unir a aceitação da massa com o público jovem que ouvia o que tocava lá fora - assim se deu início à nova fase da música sertaneja. Iniciou-se um movimento de orquestração das músicas, com arranjos rebuscados, com artistas como João Mineiro e Marciano, posteriormente guitarras terçadas, tentando garfar a linha do rock (e, consequentemente, ganhar o repúdio total dos roqueiros), roupas de cowboy e um monte de rebimbocas que outrora fizeram algum sentido ou tiveram melhor aplicação em outros estilos. O resultado foi esse: O dito sertanejo, doravante sertanojo. Mais que isso, Tião Carreiro, inventor do real estilo Pagode, tipicamente caipira, foi misturado com o sambão e virou o famoso `pagodinho`, cantado por bandinhas de 15 carinhas vestidos iguais, que pela falta total de senso musical do nosso país, até conseguem, facilmente, tirar a carteirinha da OMB. É nesse cenário caótico, sob o ponto de vista da música caipira, que pessoas como Inezita Barroso (patrimônio nacional), Zé Mulato, Roberto COrrêa, Chico Lobo, Ivan Vilela, e muitos outros (embora não tantos quanto gostaria), erguem a bandeira da preservação desta parte, fundamental do folclore do país. E eis então onde entra, gloriosamente, o Matuto Moderno. Essa banda mostra de forma nítida sua preocupação em manter viva a alma da música caipira, porém adaptando-a em estilo, para adequar ao cenário atual. É o processo contrário do que era feito: é utilizar-se do bom conteúdo para semeá-lo em novos ouvintes. Encaipirando guitarras, baixo, bateria e efeitos diversos, a banda faz os saudosos e os leigos dançarem no mesmo ritmo, casando cultura com diversão. 
Seu segundo CD `Festeiro`, independente, possui músicas próprias: destaque para a catira Curva de Rio, do violeiro Ricardo Vignini e Desse mato sai coelho, pagode da mais alta pureza, do Marcelo Berzotti. Regravaram `Vide,vida marvada`, de Rolando Boldrin, que tocam em seus shows com mais muitas outras antologias. É esse tipo de sangue novo, que preserva, que constrói, que o mundo precisa. Não precisamos de recicladores, de aproveitadores. Replantar uma árvore é diferente de reciclar o papel extraído dela. 17*10*2002 Arthur Tofani Arthur Tofani é guitarrista da Brisa e deserta música na ECA/USP
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